domingo, 1 de junho de 2014

Para Sempre Minha: Capítulo 1 — Voltando para casa

 Uhul! Agora sim, a gente voltou com força total! Quem aí sentiu saudade desse homem MARAVILHOSO? Nem precisa perguntar, né?


Preparem-se, pois o capítulo está emocionante e caliente!

Boa leitura!


Nosso coração é uma casa onde ninguém entra e sai, com ou sem nossa permissão, sem deixar marcas nas paredes. Muitos deixam marcas profundas de felicidade; outros deixam cicatrizes que marcarão nossa vida para sempre”.

— Letícia Thompson

É engraçado ver o quanto minha vida mudou em tão pouco tempo. Se me dissessem a dois meses que hoje eu estaria completamente apaixonado, planejando meu casamento e desejando ardentemente passar o resto dos meus dias ao lado de alguém, eu provavelmente soltaria uma alta gargalhada de deboche. E aqui estou pronto para lutar contra tudo e todos para ter o meu final feliz ao lado da única mulher que amei em toda a minha existência.
Isso sim é ironia.
Eu achava que era um homem livre e independente, dono de mim e das minhas vontades. Tudo foi uma grande mentira que me forcei a viver. A barreira que criei não me protegia de nada: ela me prendia. Tornei-me um escravo do medo, da dor, da tristeza e do ressentimento. Já estava completamente rendido ao meu confinamento interior, que com o tempo se tornou minha zona de conforto, o lugar do qual eu dependia para existir, porque no fundo eu era covarde demais para sair. Se me arriscasse a ao menos tentar, eu sabia que não seria capaz de enfrentar o mundo, porque eu ainda era o menino machucado, triste e indigno de amor encolhido num canto escuro, sozinho. Ninguém o protegeu. Ninguém o quis. Eu precisei fazer isso por ele, por nós. Para que nunca mais nos atingissem, para que nunca mais nos magoassem.
E então Eva apareceu, quebrou esses muros, tirou aquele menino da reclusão e lhe deu o amor de que tanto necessitava. Abriu novas possibilidades para mim, me fez querer ter um futuro, me fez querer me movimentar, me transformou num homem mais forte. Meu lado escuro nunca se foi e talvez nunca fosse embora. Mas ela não se importa, porque simplesmente o ama também. Pela primeira vez, o Gideon frágil e torturado sentiu que era parte de algo e que havia deixado de ser algo a parte. E entendeu que poder contar com alguém não era sinônimo de fraqueza ou um sonho impossível. A sensação de ser amado é tão boa, que chega a ser assustador. Porque quando se prova a felicidade uma única vez em uma vida inteira, é muito difícil se desapegar quando ela se vai.
O pensamento de depender de alguém me causava arrepios. Eu evitava me relacionar exatamente por isso. Não queria ter que me doar ou me entregar. Não queria oferecer algo que, até então, eu pensei que não tinha. E era assim que eu me sentia todas as vezes que as mulheres com quem me envolvia queriam mais de mim. Eu me sentia cobrado, podado, sufocado, trancafiado. E, de repente, o destino me surpreendeu e Eva se tornou meu tudo.
Estar preso a ela é o mais próximo que cheguei da liberdade. Estar ao seu lado é como estar no paraíso. Mesmo que muitas vezes tenhamos que descer ao inferno para permanecermos juntos. Como agora.
Mais uma vez, nossa relação está na borda do precipício.
Contudo, as coisas começaram a se complicar de verdade para nós. Eu sempre soube que a morte de Nathan poderia trazer consequências graves e sequelas profundas, mas o meu foco foi o benefício: tirá-lo de circulação para sempre significava por um ponto final aos anos de sofrimento que Eva passou em suas mãos e, claro, aos seus planos de continuar a perseguindo. No entanto, o depois está pesando. E muito. Na verdade, começou quando paramos de nos falar. Obviamente, esse tempo foi terrível para ambos. Eva é o tipo de pessoa que fica facilmente magoada quando traem sua confiança. E foi exatamente o que fiz. Ela cedeu o controle a mim e eu a magoei. Pude ver em seus olhos que a ferida é grande e demorará a cicatrizar. Pode ser que a confiança tenha sido ruída a tal ponto que terei de recuperá-la do zero novamente. Não que eu me importe. Eu faria isso tantas vezes quanto necessário, se fosse o preço para que ela permaneça ao meu lado. Afinal, eu já matei por ela.
Se me arrependo? Não. Fui motivado pelo amor. Quem ama, cuida, zela. E acredito que quem ama de verdade, faz o que for necessário para ver o outro feliz e seguro. Por outro lado, nada pode apagar o fato de que tirei a vida de alguém. Sou um assassino, independente das circunstâncias. Claro, eu jamais voltaria a fazer isso por qualquer outro motivo, mas mesmo assim, eu fiz. E não sei como será daqui para frente. Não sei como Eva vai encarar isso, não sei como eu mesmo vou lidar com isso. Só sei que tenho que ao menos estar ao lado dela. Sentir que estamos juntos. Tudo o que penso é que quero voltar para casa, para o lugar onde pertenço. Quero apenas minha mulher bem perto de mim e, de preferência, não soltá-la nunca mais.
Senti a falta de Eva assim que as portas do elevador se fecharam. E eu não poderia simplesmente vê-la sair da minha vida sem ao menos lutar. Sei que não foi exatamente isso que aconteceu, mas não queria dar chance para que ela ao menos cogitasse se afastar de mim. Eu me sinto perdido longe dela. Nada mais faz sentido, não há razão de ser, não há chão, não há gravidade. Ela é a chama que mantém meu coração aquecido, a luz que ilumina a caverna escura na qual me escondi durante muitos anos. A única que conseguiu transpor os muros que construí. Ninguém pode superá-la. Ninguém pode substituí-la. Eu não estou disposto a deixá-la. Nunca. Não há a menor possibilidade de eu respirar longe dela. Ainda temos um longo e árduo caminho para percorrer. Mas eu gosto de desafios. E estou preparado para o que der e vier. De qualquer forma, sou o bastardo mais sortudo desse mundo apenas por ter o amor de Eva. E isso me basta.
Sinto-me esgotado, física, psicológica e emocionalmente. Essas últimas semanas exigiram muito de mim. Simplesmente cheguei ao meu limite. Não aguento mais fingir, não aguento mais me esconder, não aguento mais me segurar. Não suporto mais essa ferida enorme que se abriu em mim.
Paro a Mercedes há algumas quadras do prédio dela. Meu coração trovejando no peito. Minhas mãos suando como nunca. O nervosismo fazendo meu estômago se contorcer dolorosamente. Sigo o resto do caminho andando sem entender como consigo ficar de pé. A sensação de vulnerabilidade, que tem sido frequente desde que conheci Eva, me assombra. Odeio não ter o controle das coisas à minha volta. É como atravessar um campo minado de olhos fechados, é sufocante, angustiante. Por outro lado, fico pensando o que eu sentiria se simplesmente me afastasse. Minha vida seria um vazio sem fim. Eu morreria. Literalmente. Já experimentei esse sentimento duas vezes e, para mim, foram suficientes. Além disso, não trocaria todos os sentimentos intensos de agora pelo fácil e tranquilo. Descobri que o mínimo de aflição é muito melhor do que sentir o nada.
Entro pelos fundos do prédio e subo pelas escadas. Em segundos estou à porta dela. Minhas mãos suadas começam a tremer. Meu corpo inteiro começa a tremer. Abro a porta da sala vagarosamente. O cômodo está escuro. Ouço uma música vinda do quarto de Cary. Preciso ser rápido. Ele não pode me ver aqui.
Vejo apenas uma única fonte de iluminação, que vem do quarto de Eva. Sigo a passos rápidos até lá. Meus pelos se arrepiam, meu sangue começa a circular mais rápido. Sinto sua presença antes mesmo de vê-la. Meu corpo reage automaticamente.
Assim que ponho o pé esquerdo no assoalho acarpetado, o seu cheiro invade minhas narinas e entorpece meus músculos e sentidos. Tanto, que só segundos depois ouço o barulho do chuveiro. Noto que suas roupas de ginástica estão espalhadas pelo chão, fazendo uma trilha até a porta do banheiro.
Tranco a porta do quarto, me encosto a ela e aguardo. Minha memória faz uma seleção dos nossos melhores momentos no banho, numa clara tentativa de torturar o pouco da sanidade que me resta. A saudade que sinto dessa mulher é avassaladora. De repente, a água corrente cessa e ouço barulho do box sendo aberto. Meu coração está tão acelerado que meu peito chega a doer. Cada célula do meu corpo vibra em antecipação. Meu estômago se contorce ainda mais e...
Ela sai do banheiro, enrolada numa toalha, com os cabelos molhados e pele corada pelo vapor. Nunca esteve tão magnífica como agora. Jamais vou me acostumar com a forma como reajo toda a vez que a vejo.Eva é uma mulher espetacular e chamou minha atenção como ninguém. O efeito que ela tem sobre mim é tão forte, que chega a me assustar. Seus olhos intempestivos encaram os meus profundamente, me deixando hipnotizado, exposto, entregue. A velha atração eletrizante circula entre nós deixando o ar mais pesado e tenso. Tenho que conter esse tesão insano que me toma por completo. Meu anjo me deixa aceso só de olhá-la. E ela não está muito diferente.
“É perigoso você vir até aqui”, diz com a voz ligeiramente rouca.
“Eu não consegui ficar longe de você”, admito.
Seu peito expande em um suspiro alto. Seu corpo com certeza reagindo à atração fatal que sempre nos rodeia quando estamos perto um do outro. No começo, ambos confundimos essa proximidade irresistível com um desejo puramente carnal. Mas o tempo nos mostrou que era mais, muito mais. Eva é o meu sonho realizado, meu sopro de vida, minha metade.
Porra, como eu amo essa mulher.
Fecho as mãos nas laterais do meu corpo, tentando mais que tudo refrear a avalanche de sentimentos dentro de mim.
“Eu preciso de você”, no entanto, minha voz saiu carregada de luxúria e paixão. Não deu para segurar tão bem assim.
“Você não precisa parecer tão feliz com isso”, ela tenta brincar.
Mas não dá para encarar isso de forma descontraída. O sofrimento me corrói. A dor da distância me dilacera. E a excitação acumulada simplesmente está me matando. Estou vendo o momento que vou avançar nela e beijá-la com loucura. Só preciso de um sinal, uma garantia de que ela pode me aceitar de volta, depois de tudo.
“Isso está acabando comigo”, o sofrimento carregando cada uma de minhas palavras. “Ficar sem você. Sentir tanto a sua falta. Sinto que minha sanidade depende de você, Eva, e você quer que eu finja que estou feliz, porra?”
E ela faz aquele movimento que me enlouquece, que me incendeia. Sua língua rosada passa por seus lábios ressecados. Um grunhido involuntário escapa do fundo de minha garganta e vejo seu corpo estremecer levemente.
“Bom... eu estou feliz de ver você”, sussurra.
Isso me faz relaxar um pouco e uma faísca de esperança se acende dentro de mim. Meu corpo está todo tenso pela força que estou fazendo para me controlar. Não irei me impor. Só me aproximarei se ela quiser. Não se trata de mim, da minha dominação, da minha vontade. A partir daqui, tudo dependerá única e exclusivamente dela.
Assisto em silêncio, ao seu debate interno. Eva é muito transparente, seus sentimentos nunca ficam ocultos de mim. Ela está pensando sobre o quanto sua reação ao que fiz me afeta. Então vejo sua expressão mudar para raiva, o brilho dos seus olhos sumir. Ela sempre fica assim quando fala ou se lembra dos anos que sofreu nas mãos de Nathan. Seu corpo estremece pelo ódio que sente por seu ex-meio-irmão. Seus olhos desfocados voltam a me enxergar e percebo ali seu alívio incontido por finalmente estar livre. Respiro fundo e levo minha mão ao peito para massageá-lo, tamanho o aperto doloroso em meu coração. Apenas um sinal, Eva, e juro que nunca mais nos separaremos novamente. Um mísero sinal e lhe tomarei em meus braços para matar a fome que tenho de você.
“Eu te amo”, sua voz sai embargada e seus olhos se enchem de lágrimas. “eu te amo demais”.
Suas palavras me acertam em cheio e finalmente dou vazão ao desejo ardente que estou segurando há semanas.
“Meu anjo”, caminho ao seu encontro, jogando a chave no chão e, antes que eu perceba, minhas mãos estão em seus cabelos molhados. Meu corpo treme violentamente. Meu Deus, como preciso dela! Desesperadamente. Sou incapaz de continuar vivendo sem ela.
Suas lágrimas descem em cascatas por seu rosto. Sem poder mais me segurar, inclino seu rosto no ângulo exato e a engulo seus lábios de forma possessiva, num beijo cheio de saudade. Nossa, é tão bom sentir seu gosto novamente! Eva geme contra meus lábios e agarra minha camisa, como se tivesse medo que eu me afastasse. A constatação disso me faz soltar um grunhido alto, e a sinto estremecer em resposta. Ela arranca o boné da minha cabeça e enfia seus dedos em meus cabelos, fazendo meus pelos da nuca se arrepiarem. Sua cabeça se inclina um pouco em sinal de rendição ao meu beijo.
De repente, ela deixa escapar um soluço, me desarmando completamente. Não suporto vê-la assim.
“Não faça isso”, sussurro, afastando-me para segurar seu queixo e olho-a nos olhos. “Você acaba comigo quando chora”.
“É demais para mim”.
Não! Não posso perdê-la assim. Não é justo! Sei que o que fiz é errado. Mas foi por amor. E eu faria de novo, várias vezes, se fosse preciso. Sou capaz de tudo para ver meu anjo feliz.
Balanço a cabeça tentando encontrar as palavras para me explicar.
“O que eu fiz...”.
“Não é isso”, ela me corta. “É o que eu sinto por você”.
Acaricio seu rosto com a ponta do nariz e toco seus braços nus com as mãos, numa tentativa de mostrar-lhe que é recíproco.
“Obrigada”, murmura.
Meus olhos se fecham numa mistura de alívio e angústia. “Minha nossa, quando você foi embora... Sem eu saber se iria voltar... Se eu tivesse perdido você...”.
“Eu também preciso de você, Gideon”.
“Eu não me arrependo. Faria tudo de novo”, digo tentando fazê-la entender que simplesmente tive que fazer aquilo. “As opções eram interdições judiciais, contratar guarda-costas, manter a vigilância... pelo resto da sua vida. Não havia nada que garantisse a sua segurança enquanto Nathan não estivesse morto”.
“Você me afastou, se fechou para mim”, murmura magoada. “Nós dois...”.
“Para sempre”, eu a corto pondo meu dedo nos seus lábios entreabertos. “Acabou. Eva. Não adianta discutir algo que não pode ser mudado”.
Ela afasta minha mão. “Acabou mesmo? Nós já podemos ficar juntos, ou ainda precisamos esconder nosso relacionamento da polícia? Aliás, nosso relacionamento ainda existe?”
Suas palavras me golpeiam forte, principalmente as últimas. Eu não poderia me afastar dela, por mais que ela me quisesse longe. Eva pode até me amar, mas o amor não é suficiente para manter duas pessoas juntas. Ambas têm de, em primeiro lugar, querer estar juntas. E só a ideia de vê-la seguindo sua vida sem mim me causa uma dor que sequer pode ser descrita.
Olho para seus olhos brilhantes de lágrimas disposto a não esconder meus sentimentos. “Eu vim até aqui para perguntar isso a você”.
Diga que não vai desistir de nós. Por favor. Por favor.
“Se depender de mim, eu não saio de perto de você nunca mais”, diz com veemência. “Nunca mais”.
Quase que cautelosamente, deslizo minhas mãos por seus ombros, em reverência pela sua confiança, que eu decididamente não mereço.
“É só disso que eu preciso”, digo baixinho. “Fiquei apavorado com a ideia de que você fosse fugir... que ficaria com medo. De mim”.
“Gideon, não...”.
“Eu jamais machucaria você”, minha voz sai sofrida só de imaginar ela se afastando de mim.
Ela agarra a barra do meu moletom e tenta me puxar para perto. “Eu sei disso”.
Eva é teimosa. Persistente. Forte. Mas no fundo, tem uma alma tão sofrida e atormentada quanto a minha. Eu, mais do que ninguém, sei o que significa ser traído, ser machucada por alguém em que quem você deposita toda a sua confiança, alguém com quem você acha que pode contar. E isso foi exatamente o que fiz ao meu anjo. Nem os motivos que me levaram a fazer o que fiz serão suficientes para apagara dor e o sofrimento que causei a nós dois, mas principalmente, a ela.
“Será mesmo?” olho bem em seus olhos acinzentados, a procura do que ela não quer me dizer. “Abrir mão de você acabaria comigo, mas é isso que eu prefiro se estiver fazendo você sofrer”.
“É com você que eu quero estar”, diz com firmeza.
Solto um suspiro audível, de alívio e de cansaço. “Meus advogados vão falar com a polícia amanhã para descobrir em que pé estão as coisas”.
Ela beija minha boca tentando transmitir todo o carinho e apoio que preciso.
“Você precisa ter certeza que será capaz de conviver com o que eu fiz”, digo contra sua boca enquanto enrolo uma mecha de seu cabelo em torno do meu dedo.
“Acho que consigo. E você?”
Eu a beijo novamente. “Eu sou capaz de suportar qualquer coisa se eu tiver você”.
Eva enfia sua mão por baixo da minha blusa para pousá-la sobre meu peito. Meus músculos imediatamente se enrijecem com seu toque e meu membro lateja, indo de semiereto para ereto num instante. Ela lambe minha boca e morde meu lábio inferior de leve, enviando uma corrente elétrica avassaladora por todos os meus nervos. Solto um gemido gutural. Eu preciso dela. Agora.
“Quero sentir seu toque”, o que era para sair como uma ordem natural soa mais como uma súplica.
“Eu estou bem aqui”, murmura com a voz rouca.
Sem pensar duas vezes, pego sua mão que está em minha nuca e a puxo para frente. Com a minha mão livre retiro meu pau para fora da calça, sem me preocupar com o pudor. O sexo entre nós sempre foi primitivo, selvagem, visceral. Não há barreiras entre nós. Não mais.
Seus dedos envolvem minha ereção e a sensação é inexplicavelmente excitante.
“Minha nossa”, sussurra. “Você me deixa com tanto tesão”.
Olho fixamente para seus olhos, sentindo meu rosto queimar e minha boca se entreabrir. Ela me seduz de uma forma tão arrebatadora que me sinto sugado, inebriado, atordoado e, mais do que tudo, incapaz de lutar contra. No começo eu apenas fingia que podia me controlar. Hoje, eu não me importo de deixá-la ver o efeito que tem sobre mim. Eu quero que ela veja.
Não dá mais para segurar. Passei essas últimas semanas rememorando a forma como sua pele se arrepia ao meu toque, a forma como sua coluna se arqueia quando sugo seus mamilos, a forma como seus quadris se remexem quando toco sua carne quente e molhada com os dedos ou a língua, a forma como ela se aperta ao redor do meu membro quando a penetro, a forma como seu rosto se contorce quando está completamente entregue ao orgasmo. Eu preciso ter isso novamente.
Ao arrancar a toalha de seu corpo, tenho a certeza de que minha memória não fez jus à realidade: suas curvas são ainda mais sinuosas e deliciosas do que eu me lembrava.
"Ah, Eva", é tudo o que consigo dizer, com a voz embargada pela emoção.
Às vezes é difícil acreditar que ela me ama e que pertence a mim, mas quando percebo que é verdade, é impossível descrever o quanto me considero um bastardo de sorte.
Puta merda, ela é linda pra caralho!
Tiro rapidamente o moletom, mas ando até ela a passos lentos, aumentando a antecipação. Levo minhas duas mãos aos seus quadris e aperto-os com os dedos, tremendo de ansiedade, de saudade. De fome. Seus mamilos enrijecidos são a primeira parte a me tocar, ficando pressionados contra o meu peito, fazendo o desejo explodir dentro de mim a níveis inimagináveis. Solto um grunhido e a puxo contra mim, tirando seus pés do chão e a carregando até a cama.

Jason Derulo – Vertigo (feat. Jordin Sparks)
Ela cai de costas e a ajeito sobre o colchão antes de me colocar por cima dela. Minha boca faminta busca avidamente seu mamilo rosado, enquanto minha mão se ocupa do outro, apertando-o de forma possessiva. Sentir o gosto da sua pele novamente após semanas de ausência... É demais para mim.
“Meu Deus, como eu senti sua falta”, gemo.
Suas pernas envolvem minha panturrilha e sinto uma de suas mãos apertarem minhas nádegas, de forma a me puxar para perto dela e arqueia os quadris a ponto de nossos sexos friccionarem, tendo apenas minha calça como barreira. Esse é um claro sinal de que, assim como eu, Eva está desesperada para me ter dentro dela.
“Diga para mim”, pede com um tom desesperado na voz.
Eu sei exatamente o que ela quer que eu diga. Ergo meu tronco, encaro e retiro cuidadosamente os cabelos que cobrem sua testa. Engulo em seco. Não que eu não goste de declarar meu amor por ela. Só que aquelas palavras não são e nunca serão suficientes para expressar o que realmente sinto.
Ela se inclina para me beijar. “Eu digo primeiro: eu amo você”.
Fecho os olhos e estremeço. Suas palavras doces reverberam pelo meu corpo e mexem com a minha alma. É uma sensação de elevação tão grande que parece não ser real. Ser amado por ela não é apenas um privilégio. É uma benção.
Por mais que essas palavras soem inadequadas quando as digo, não posso negá-las ao meu anjo. Ela merece ouvi-las.
“Eu te amo”, sussurro com a voz carregada de emoção, “demais”.
Eva enterra seu rosto em meu ombro e... Começa a chorar de novo. Droga, eu odeio vê-la dessa forma.
“Meu anjo”, suspiro agarrando seus cabelos.
Sem que eu espere, sua boca está na minha, devorando-a num beijo salgado por suas lágrimas. É como se eu fosse desaparecer a qualquer instante. Lembro-me da forma como ela se comportou durante nosso voo para Las Vegas. O mesmo desespero, a mesma sensação de vazio, que só seria preenchida quando nos conectássemos sexualmente.
“Eva. Me deixe...” pego seu rosto entre minhas mãos e lhe dou um beijo lento e profundo a fim de chamar sua atenção. Hora de tomar o controle. “Me deixe amar você”.
“Sim, não para”, sussurra agarrando minha nuca com os dedos. Meu membro roça novamente na entrada de seus lábios vaginais, louco para invadir seu centro pulsante.
“Nunca, eu não consigo”, aperto sua bunda com minha mão erguendo seus quadris.
Seus mamilos endurecidos se esfregam em meu peito, meus pelo roçando sem parar em sua pele arrepiada. Suas mãos vão para as minhas costas, que instintivamente se arqueiam ao sentir as unhas dela arranhá-las. Solto um grunhido de prazer jogando a cabeça para trás. Sua carícia bruta e primitiva me deixa ainda mais alucinado. Sinto meu rosto em chamas e minha respiração ainda mais áspera.
“De novo”, ordeno com a voz carregada de desejo.
Eva inclina o corpo para frente e sinto seus dentes cravarem na pele do meu peito, bem onde fica o coração. Sibilo de dor e estremeço de tesão. Seu gesto mostra exatamente sua intenção: ela quer me punir. Fazer com que eu sinta ao menos um pouco dar dor que lhe causei com meu afastamento.
Em seguida, sua língua acaricia as marcas de sua mordida. Numa resposta consciente, invisto meus quadris em sua direção, de forma a esfregar minha extensão pelos lábios entreabertos de seu sexo.
“Minha vez”, sussurro disposto a retribuir suas carícias com a mesma intensidade.
Apoio-me em um dos braços, aperto seu seio com a outra mão e abocanho novamente seu mamilo pontudo, esfregando minha língua contra a pele sensível, e mordo a pontinha do mamilo em seguida, o que a faz soltar um grito alto e seu corpo se contrair.
Suas mãos vão direto para meus cabelos, seus dedos se embrenhando por entre os fios, como ela sempre faz quando está excitada. Mas seus movimentos não estão me trazendo para mais perto, como de costume, e sim me repelindo. Ela puxa minhas madeixas como se quisesse me afastar. Ao mesmo tempo suas pernas envolvem firmemente meus quadris, me mantendo bem em cima de sua pélvis. Seus sinais confusos evidenciam ainda mais sua mágoa em relação ao que fiz. Ainda sim, mostram o quanto ela me quer.
“Gideon”, sua voz agoniada invade meus ouvidos e fazem meu coração se partir.
“Estou aqui meu anjo”, sussurro passando a língua pelo seu colo até chegar ao outro seio. Com meus dedos, continuo a dar atenção a seu mamilo úmido e sensível que estava em minha boca, beliscando-o de leve. “Não tente resistir, me deixe amar você”.
Ver o quão confusa, ressentida e necessitada ela ficou depois de tudo o que aconteceu me faz sentir um monstro. Eu a magoei tão profundamente que há uma enorme possibilidade nunca mais sermos o que éramos. Já tínhamos cicatrizes demais antes da nossa relação, algumas muito profundas e outras mal curadas. E agora, mais uma ferida se abriu. Uma ferida grande, que pode nunca se cicatrizar completamente.
Sinto meus olhos arderem e as lágrimas descerem torrencialmente. Numa forma de mostrar a ela que aquilo doeu tanto em mim quanto nela, saio do seu aperto e começo a percorrer seu corpo, surrando em sua barriga o quanto senti sua falta, o quanto preciso dela, o quanto eu a quero.
Seus dedos trêmulos alcançam meu rosto a fim de limpar as lágrimas. Um gemido sofrido escapa dos meus lábios diante do contato. Eu não queria ter nos despedaçado, não queria que o que tínhamos tivesse se partido. Os estilhaços estão por toda a parte e, a cada passo de nossa reconciliação, nos depararemos com eles. E, em muitos momentos, eles nos machucarão ainda mais.
“Eu te amo”, ela diz e meu coração se aperta.
“Eva”, suspiro e me coloco por cima de seu corpo macio e cheiroso.
Seus olhos analisam meu corpo num misto de admiração e possessividade. Eu amo isso nela.
“Você é meu”, sua voz sai áspera e seus braços me agarram e me puxam para seu peito. “Meu”.
“Meu anjo”. Devoro sua boca com um beijo ardente e cheio de tesão.
Nós praticamente rolamos na cama, sempre nos tocando, nos esfregando, nos provando. Matando as saudades. Tentando recuperar um pouco do que perdemos durante a separação.
Em um momento, meu corpo está sobre o dela novamente. Suas mãos envolvem meu rosto e sua língua percorre meus lábios com vontade. Enquanto isso, minha mão percorre o caminho até seu sexo. Meus dedos acariciam seu clitóris deliberadamente evitando sua abertura sensível e molhada. Ela geme contra meus lábios e começa a remexer os quadris. Continuo a estimulá-la ao mesmo tempo em que prolongo o beijo, dessa vez de forma mais lenta e carinhosa, mas não menos prazeroso.
Eva estremece quando enfio meu dedo do meio por inteiro em sua fenda e o movo lentamente, sentindo sua umidade doce encharcando-o e sua carne quente se apertando ao redor dele. Seu clitóris inchado pulsa contra minha palma, que o massageia incessantemente. Minha outra mão se ocupa em segurar seus quadris com firmeza, mantendo a parte mais sensível de seu corpo sob meu domínio.
Apesar de manter o controle e a precisão ao manusear seu sexo, eu podia sentir meu próprio descontrole nos tremores do meu corpo, em minha respiração ofegante. Cada toque, cada gemido, cada beijo é carregado de sofrimento e de uma necessidade absurda de fazê-la se sentir amada, de súplica para que ela acredite no meu amor, no quanto eu também me machuquei ao nos forçar a ficar longe um do outro.
Meu membro está cada vez mais duro, mais latejando, implorando por liberação. Mas nada mais importa além de Eva nesse momento... Ah!
Suas mãos o pegam firmemente e começam a masturbá-lo a ponto de o líquido pré-ejuaculatório brotar da abertura grossa e avermelhada. Um gemido gutural escapa de minha garganta e apoio minha cabeça na cabeceira da cama tentando conter a reação violenta do meu corpo e encurvo o dedo que está dentro dela. Ela continua a apertar minha ereção com força fazendo com o líquido se espalhar pela glande. Noto que ela volta suas mãos para a base para fazer tudo novamente. Ofegante, digo para ela parar, pois estou quase gozando. E não quero fazer isso em suas mãos, e sim dentro dela.
Mas ela me contraria e o acaricia mais uma vez, fazendo mais líquido sair de mim. E isso é o meu fim. Eu vou gozar. Agora.
“Caralho”, digo ao sentir os primeiros espasmos perpassarem meu corpo.
Tiro o dedo de dentro de sua abertura e a pego pela cintura, forçando-a a se soltar de mim. Ajeito seu corpo, ergo sua cintura e enfio meu pau dentro dela, numa estocada furiosa. Nada se comparar a estar dentro dela, nesse calor que me cega e só me faz enxergar ela no mundo. A gravidade me abandona e só ela me prende na Terra, só ela me faz existir.
Sentir sua carne me receber e se apertar ao meu redor... Porra, porra, porra! Trinco meu maxilar ao sentir o primeiro jato de sêmen jorrar em seu corpo. É uma sensação única, tão forte, tão intensa, tão incrivelmente excitante e absolutamente necessária. Sou incapaz de viver sem isso.
“Eu sou seu”, digo, penetrando-a ainda mais fundo. “Todo seu”.
Ela geme ao sentir meu membro por inteiro e um orgasmo arrebatador toma conta de seu corpo. E assisti-la se perder no prazer sempre é uma cena mais do que magnífica de assistir.
Seus quadris começam a se remexer a esmo, desejando mais, buscando mais. E eu percebo que, nesse momento, ela quer a certeza de que lhe pertenço. Eva quer que eu me renda à sua vontade, que eu me entregue. Então me deixo conduzir por seus movimentos. Meu pau ainda está duro. Mesmo que meu recente orgasmo tenha sido libertador, ainda não é suficiente. Eu preciso de mais.
“Isso mesmo, meu anjo”, minha voz sai áspera e entrecortada.
Meus braços caem sobre a cama e agarro o edredom com os punhos fechados. Minha pele está em chamas, o suor escorre pelo meu corpo. A cada estocada, meu bíceps se contrai, meus músculos abdominais se enrijecem. Ela exige cada vez mais de mim, e eu simplesmente a deixo tomar tudo o que quiser. Eu sou do meu anjo para que ela faça o que quiser.
Em um determinado momento, eu a sinto hesitar.
“Por favor”, sussurra quase sem fôlego. “Por favor, Gideon”.
Ela quer que eu tome o controle novamente.
Agarro-a pela nuca e pela cintura e a ponho deitada de barriga para cima. Deito sobre ela, e começo a estocar com força, entrando e saindo, entrando e saindo, sem parar. Nossos corpos se movem juntos, num ritmo frenético, intenso... Nossas respirações ásperas se misturam, nossos gemidos ecoam pelo cômodo. Eu não consigo pensar em nada além desse momento, o nosso momento, o nosso amor.
Ela se contorce violentamente e goza mais uma vez, derramando seu líquido quente sobre meu membro latejante e sensível. Seus músculos convulsionam ao redor dele e o orgasmo explode em mim mais uma vez. Abraço seu corpo com força, num medo repentino de que esse momento seja apenas um sonho e que ela desapareça a qualquer instante.
“Meu Deus, Eva”, afundo meu rosto em seu pescoço e aspiro seu cheiro cítrico misturado ao seu suor. “Como eu preciso de você. Muito, demais”.
“Meu amor”, ela retribui meu abraço com toda a sua força.
Nunca mais a deixarei ficar longe de mim.
Nunca mais.

E é isso aí? O que acharam? Nem vou pedir comentários porque sei que minhas leitoras nunca me decepcionam! Adoro vocês e estou muito feliz por estar de volta!


Beijo grande e até a próxima! 

9 comentários:

Beatriz Matias Alves disse...

Amei!!!Tva lendo a versão original dessa parte hj e ficou ótimo!! Mto compatível com o que eu imagino do Gideon

andrea cruz disse...

Parabéns vc escreve lindamente, aguardando ansiosa pelos próximos capitulos.
Acredito q vc vá fazer muito SUCESSO com os seus... Bjss

Lwangia disse...

Ja acompanho desde a primeira fic mas não havia feito nenhum comentário antes, adorei a duas anteriores e ja gostei de cara do primeiro capítulo desse. Parabéns, vc é uma ótima escritora.... tomara que vc encontre tempo pra fazer o outros capítulos, ja estou ansiosa por mais... bjos

Vanessa Guedes disse...

E o moreno perigoso ta de volta! Cara, já tô ansiosa para ler a próxima postagem. Você escreve muito bem e consegue manter Eva e Gideon com sua essência. Parabéns!

Denise souza disse...

perfeito ameiiii esperando os próximos capitulos kkk

Aline Freitas disse...

Louca para ler mais!!!!!!

andrea cruz disse...

Aguardando os próximos capituloss... Ansiosa por maisss

simone azevedo disse...

Parabéns! Maravilhoso esse capitulo, anciosa para o próximo. :)

Luciana Almeida disse...

Arrasou tammy !
Escrita sempre perfeita ...
Bjs