sábado, 9 de novembro de 2013

Profundamente Minha: Capítulo 6 — Ah, Eva...

Pessoal, mil perdões pela demora em postar. Para quem acompanha o grupo, sabe que tive alguns problemas pessoais que me impediram de me dedicar à fic. Quero deixa claro que não pretendo parar de escrever e que passarei a postar todas as sextas como antes, ok? E não vou mais repostar 'Toda Minha'. Tenho o pdf disponível para download nos arquivos do grupo então para quem quiser, está lá! 
Boa leitura.  

“Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e vir um anjo, e tendo-a nos braços cair nas tentações que só os demônios provocam”.
— Pablo Picasso

Foi muito difícil ter que deixar Eva em Vegas. O curto trajeto até Phoenix foi terrível. Finalmente a ficha tinha caído. A sensação de solidão é angustiante. E só de saber que será assim pelos próximos dois dias meu coração se aperta. Pelo menos terei o trabalho para me distrair.
Chego à suíte do hotel e ligo para Scott para confirmar se tudo está saindo conforme o planejado.
Sim, senhor Cross”, responde Scott. “Sheila foi orientada de suas tarefas e já está ciente da chegada da senhorita Tramell ao hotel. A gerente ficou encarregada de levá-la pessoalmente à suíte presidencial. Instalei em seu notebook uma conexão que lhe dá acesso ao servidor do hotel contendo a listagem de hóspedes e todas as informações necessárias sobre cada um. Assim o senhor se manterá atualizado de todas as entradas, saídas, reservas e cancelamentos”.
“Excelente. Peça a Ben para entrar em contato comigo amanhã após as 10h”.
Claro. O senhor deseja mais alguma coisa?”.
“Não Scott, isso é tudo. Boa noite”.
Boa noite, senhor”.
Desligo. Sheila é a segurança que escolhi para Eva. Ela é uma das minhas melhores funcionárias. Sua competência e sua discrição foram algumas das motivações que me levaram a escolhê-la, além do fato de ela ser mulher, claro. Não preciso dizer por quê.
Tiro o terno e vou direto para o banheiro.
Já debaixo do chuveiro, reflito sobre como tudo mudou de uma hora para outra. Eva foi um divisor de águas em minha vida. Antes era só eu. Sempre me preocupando comigo mesmo e com minhas necessidades imediatas, sem sequer olhar para o lado. Sempre trancafiado em minha própria solidão, protegido por muros que eu julgava serem inquebráveis. A aura de força e impassibilidade foi um escudo intangível durante muito tempo.
Então Eva apareceu como o sol em um planeta escuro e sem vida. Resplandecente, majestosa e digna de adoração. Ela se tornou o motivo de tudo, a razão pela qual eu deixei de ser aquele homem oco. Quando estamos juntos, sinto como se finalmente tivesse descoberto o porquê de ainda estar aqui. Mesmo trabalhando arduamente, me tornando o que sou hoje, eu ainda ficava me perguntado qual era o propósito da minha existência. Não sou um herói. Não sirvo de exemplo para ninguém. E, além disso, sou um ser humano cheio de falhas e atormentado por diversos demônios.
Durante esses anos eu só existi. Nada mais que isso. E com Eva passei a viver, plenamente. Entendi que o “nós” é o certo. Eu sou quem sou, passei pelo que passei porque, no fim, tudo se resume a ela. De eu ser o que ela precisa e vice-versa. No começo não admiti, mas eu me achava indigno dela. Talvez ainda seja, mas farei o possível e o impossível para reverter isso. Ela precisava de alguém que tivesse condições de amá-la e protegê-la. E esse alguém tinha que ser eu.
Saio da ducha, me enxugo e visto apenas uma calça de moletom. E vou me deitar. Amanhã será um longo dia. Mas não será pior do que dormir nessa cama.
Sozinho.
/***/
Acordei cedo. Aliás, não dormi. Tive dois pesadelos seguidos. O segundo foi tão pavoroso que não consegui mais pregar os olhos. Sonhei que Nathan tinha conseguido pegar Eva. Não esperei pelas 10h e às 8h eu já ligava para Ben para saber das notícias sobre aquele cretino. Não houve novidades. Ele mantinha a mesma rotina. Saía pouco do hotel. Apenas para comprar coisas simples e comida. E sempre com dinheiro. Senti-me frustrado. Alguma coisa estava muito errada, eu podia sentir. Esse silêncio absoluto é muito estranho. Se ele continua no hotel é porque não desistiu. Com certeza vai tentar chantagear a mim e a Stanton novamente. E não me surpreenderia se conseguisse arrancar dinheiro dele.
Fui informado de que Sheila teve que fazer uma intervenção. Parece que um sujeito tentou se aproximar de minha namorada no bar da piscina. Pedi para que ficassem de olho nele e solicitei que me enviassem o nome do maldito filho da puta! Se ele não quiser perder as bolas é melhor manter-se longe do que é meu. Depois de esbravejar e falar todos os palavrões possíveis e até inventado alguns, liguei para o serviço de quarto para solicitar meu almoço.
Tento reler as análises de contas do empreendimento, mas não consigo passar da primeira linha. Estou tão cansado e entediado. E, é claro, com minha mente longe, mais especificamente, em Las Vegas. É incrível como meu mundo fica sem graça e triste sem Eva. Essa distância tem sido horrível para mim. Ter que dormir e acordar sem seu corpo voluptuoso se moldando ao meu, suas pequenas mãos sobre o meu peito e seu rosto em meu pescoço... Eu odeio isso. E também, estou preocupado. Claro que, estando no meu hotel, sendo mantida sob uma vigilância rigorosa, ela está segura, mas não consigo deixar de pensar que me sinto muito mais tranquilo quando ela está em meus braços. Afinal, ninguém cuida de Eva melhor do que eu.
Eu daria minha vida por ela. Sem pensar duas vezes.
O barulho da minha caixa de email me chama a atenção. É a gerente do hotel me mandando o nome do hóspede indesejado: Daniel Marshall.
Puta que pariu! Isso é algum tipo de maldição? Outro Daniel pra dar em cima da minha namorada? Mas que porra! Tem um monte de Eva no mundo! Tinha mesmo que dá logo em cima da minha?
Envio um email para Scott ordenando que faça uma pesquisa completa na vida desse idiota para me enviar ainda hoje. Não posso relaxar com a segurança dela. Mesmo que Nathan esteja do outro lado do país tendo seus passos seguidos, ainda tenho minhas reservas. Afinal ele pode muito bem estar tendo algum tipo de ajuda. A merda disso tudo é a incerteza, afinal o cretino não dá muitos pulos por aí.
As batidas na porta interrompem meus pensamentos. Levanto da cama para atender. A comida não demorou obviamente, mas só me lembrei de que estava com fome agora que chegou. Eva ocupa tanto minha mente que esqueço até minhas necessidades básicas.
Devoro o bife mal passado com arroz branco e volto aos meus afazeres. Essas contas precisam ser revistas mais detalhadamente. Uso de toda a minha concentração para encontrar as falhas que eles deixaram passar.
/***/
Ao passar pelas portas do saguão do hotel, me deparo com uma cena inusitada. Angus está conversando com um homem caucasiano, vestindo um terno preto parecido com o seu, alto, muito alto e gordo, muito gordo. Se ele me desse um murro sem eu estar prevenido, eu desmaiaria na certa. As mãos do sujeito são enormes. Aliás, ele é enorme, quase intimidante. Os dois parecem estar discutindo algo.
Assim que me vê, Angus me lança um olhar divertido.
“Bom dia”, eu os cumprimento polidamente.
“Bom dia, senhor Cross”, respondem em uníssono. Franzo um pouco o cenho. Que estranho.
“Senhor Cross, sou Dave James. Segurança particular”. Apresenta-se o grande homem.
 “Sim, claro. Mas eu não me lembro de ter pedido segurança adicional”. Digo olhando para Angus pedindo explicações silenciosamente. Na verdade, tenho certeza que não pedi nada.
“Eu vim a mando da senhorita Tramell, senhor”.
O quê?
“Como assim?” pergunto aturdido.
“A senhorita Tramell solicitou meus serviços. Disse que se sentiria melhor se soubesse que o senhor está realmente seguro”.
Não que ela não se preocupe comigo, mas sei que essa não é sua real motivação. Eva está querendo se vingar por causa de ontem.
“Bom, eu agradeço, mas não será necessário. Eu já tenho uma equipe de seguranças”.
“Desculpe senhor Cross, mas a ordem é estar com o senhor em todos os momentos. E vou cumpri-la”, diz num tom determinado.
Mas que droga! O que raios Eva está pensando?
Balanço a cabeça em descrença. “Dave, lamento que tenha perdido viagem, mas não será necessário”.
“Não senhor Cross, eu não perdi a viagem. Fui contratado com um propósito e só planejo sair daqui depois de cumpri-lo”.
E, como se não bastasse, é do tipo que segue apenas uma ordem, assim como Angus e Clancy.
Decido ver até onde Eva vai com isso.
“Bom, está certo. Vamos então?”
“Sim, senhor”, Angus diz.
Entro no carro, e Angus e Dave entram em seguida. Passo o caminho inteiro até o escritório das Indústrias Cross remoendo essa atitude de Eva. Apesar de achar absurda tanto a situação quanto a própria Eva, estou admirado com sua audácia. Meu anjo é imprevisível.
Assim que o carro estaciona em frente ao prédio, desço com Dave em meu encalço. Arqueio a sobrancelha olhando para ele. O que ele pensa que está fazendo?
“As ordens incluem ir com o senhor a qualquer lugar”, informa ele ao perceber meu olhar.
Isso é alguma piada?
Bufo e entro no prédio. Bernard já está ali pra me receber.
“Bom dia, senhor Cross”.
“Bom dia, Bernard. Vamos?”
“Claro, senhor”.
Ele olha para o enorme homem ao meu lado com curiosidade, mas sabiamente a mantém para si mesmo.
Vamos em direção aos elevadores e o grande Dave nos segue como uma sombra.
Já na sala de reuniões, todos me aguardam. O grupo parece bem tenso. Eles se levantam assim que me veem.
“Bom dia”.
“Bom dia, senhor Cross”, dizem em uníssono.
Encaminho-me para a mesa onde a planta está esticada e sou seguido pelos demais. Dave fica parado bem na porta. Todos estranham sua presença ali, mas ignoro isso e vou direto ao ponto.
“Bem, vou fazer alguns apontamentos com relação ao projeto e relacioná-las às anomalias que foram detectadas nas contas”.
Começo a explicar o que vi. Allison, que estava no canto oposto da mesa, mais ou menos a um metro de mim, chega mais perto para apontar algo na planta quando uma sombra enorme se põe entre nós.
Mas o que...?
“Desculpe senhor Cross. São ordens”.
Allison olha para o homem assustada e eu furioso.
“Escute, Dave. Estamos em uma reunião importante e eu gostaria que você não interferisse. Não há necessidade disso”, mas ele parece não se abalar.
“Ela não pode ficar a menos de um metro perto do senhor. Essa foi a regra estabelecida pela senhorita Tramell”.
Nada... Apenas grilos em minha cabeça... Eu não sei o que dizer sobre isso.
E durante toda a reunião foi isso. Ele pra lá e pra cá, o tempo inteiro, sem deixar que nenhuma mulher se aproximasse de mim. Uma das associadas se comunicaria conosco via videoconferência e Allison deveria participar, porém foi impedida por Dave que cumpria à risca as ordens de Eva. Tentei argumentar que ela tinha que entrar no foco da câmera, mas ele foi irredutível. Porra, Eva não brincou em serviço. Eu sabia que aquele silêncio de ontem era a calmaria antes da tempestade.
A equipe assistia a tudo completamente atordoada. Alguns tinham uma diversão contida nos olhos, outros, incredulidade. E aquilo foi me enervando de tal forma que acabei ficando... Excitado pra caralho! Eu estava com uma ereção monstro por baixo das calças. Tive que ficar sentado a maior parte do tempo. Eva estava se vingando da minha superproteção, me desafiando e mostrando que não ia aceitar tudo de cabeça baixa. E, porra, isso é sexy demais. Tão diferente das outras, que me obedeceriam com prazer só para ter o mínimo possível de mim. Mas, como sempre, meu anjo é surpreendente.
Era para a reunião ter acabado às três. Fizemos apenas uma pausa para o almoço (com Dave em minha cola, inclusive, impedindo que a pobre garçonete deslumbrada viesse tomar meus pedidos) e voltamos. Mas eu ainda estava de pau duro e precisei prolongar um pouco mais uma conversa com um dos supervisores da obra, para ver se conseguia baixá-lo um pouco, pelo menos o suficiente para conseguir disfarçá-la. O nível de excitação beirava o desespero. Eu precisava me enterrar nela. Precisava fodê-la até cairmos desmaiados na cama.
Enfim, às quatro e meia da tarde estávamos de volta ao hotel. Durante todo o caminho, tive que aguentar aquela cara de ‘Você fez a cama, agora deita’ de Angus. Claro que, apesar de trabalhar para mim, sempre o considerei um pai, afinal eu não tive um. Sou apegado a ele desde pequeno e fiz questão de tirá-lo dos Vidal quando enriqueci.
Dave continuava impassível olhando para a janela. Ainda bem que já estava indo embora!
A primeira coisa que fiz assim que cheguei à minha suíte foi tomar um banho gelado. Meu corpo queimava e minha ereção parecia ter crescido mais. Estava dolorida de tão dura.
Nenhuma mulher me fez sentir assim antes, nunca! Eu me excitava conforme o momento, e com Eva isso acontece o tempo todo. Mas, dessa vez, ela se superou.
Fiquei no chuveiro até meus dedos enrugarem. Minha ereção baixou um pouco, apesar de estar latejante. As veias grossas sob a pele sensível pulsavam loucamente implorando por alívio, mas me contive. Não resolvi esse problema sozinho. Eu despejarei todo o meu prazer em Eva.
Até a última gota.
/***/
Assim que chego ao hotel tenho destino certo. Cumprimento a recepcionista e pego com ela o cartão da suíte. Encaminho-me para os elevadores e, para minha sorte, um acaba de descer e está se esvaziando. Entro nele e uso a chave-mestra. Em questão de segundos as portas se abrem no 15º andar e a passos firmes sigo para o quarto. Coloco o cartão no dispositivo e a porta da suíte 1309 se destranca. Assim que entro, dou de cara com Cary.
“Ei Cross, como foi de viagem?” pergunta despreocupadamente.
“Deu trabalho, mas foi recompensador”, respondo polidamente. “E você? Como está agora?”
“Melhor. Acho que eu só precisava ter minha amiga um pouco para mim. Eva é minha metade racional. Se ela não está por perto, tudo em meu mundo fica bagunçado. Ela põe meus pés no chão”.
“Eu sinto o mesmo sobre ela, sem a parte de ela ser racional, é claro”, comento divertido.
Ele dá uma risada. “Isso é verdade. Mas sabe, esse é o charme dela”.
“É, é sim”, concordo. “Bom, que tal aproveitar seus últimos momentos de diversão antes de voltar para o mundo real?”, pergunto retirando algumas fichas para que ele fosse se distrair no cassino do meu bolso e passando para ele.
Seus olhos se arregalam. “Uau! Isso é demais. Pode bater um papo à vontade com Eva, não vou nem me lembrar de vocês dois com essas belezinhas aqui”, diz já indo para a porta.
“Divirta-se”, digo já olhando fixamente para a porta do quarto.
Ele murmura um “ok” totalmente distraído e sai da suíte. Num timing perfeito, a porta do quarto se abre revelando a figura curvilínea de Eva, que está espetacular em sua blusa apertada de mangas curtas e a infame calça preta de ioga que estava usando quando a vi pela primeira vez. Seus cabelos soltos caem em suaves ondas pelo seu busto, cobrindo seus seios empinados. Uma visão do céu. Meu coração se aperta. Estou com tanta saudade.
“Oi, meu anjo”.
Suas mãos remexem inquietamente em sua calça. “Oi, garotão”.
Estreito os lábios. “Fiz alguma coisa em especial para merecer esse tratamento?”
“Bom... Você é mesmo um garotão. E é o apelido de um personagem que eu sempre achei um tesão”.
“Não gosto nada da ideia de você achar alguém um tesão, seja uma pessoa de verdade ou um personagem”. Exagero, eu sei. Mas sou um homem das cavernas por natureza.
“Você se acostuma”, dá de ombros.
Sacudindo a cabeça, começo andar em direção a ela. “Assim como precisei me acostumar ao lutador de sumô que você mandou ficar na minha cola?”
Ela morde a parte de dentro das bochechas para conter uma risada.
“Onde está Cary?” Mudando de assunto?
Hum, hum. Resposta errada meu anjo.
“Foi ao cassino. Arrumei umas fichas para ele”.
“Não está na hora de ir embora?”
Vou reduzindo lentamente a distância entre nós. Estou com fome, muita fome. Sinto-me como um leopardo rondando a presa, agitado, ansioso, pronto para atacar.
“Você está menstruada?”
Ela confirma com um aceno de cabeça.
“Então vou ter que gozar na sua boca”.
Suas sobrancelhas se erguem. “Ah, é?”
“É”. Sorri. “Não se preocupe, meu anjo. Cuido de você primeiro”.
Num movimento rápido eu a pego no colo, a levo até o quarto e a jogo na cama. No segundo seguinte minha boca está cobrindo a sua em um beijo profundo e sedento. Deito sobre ela colocando um pouco do peso do meu corpo sobre o seu.
Porra de mulher gostosa que me deixa louco!
“Senti sua falta”, murmura, abraçando-me com os braços e as pernas. “Apesar de você ser bem irritante às vezes”.
Solto um grunhido. “Você é a mulher mais enervante e provocadora que já conheci”. E não é brincadeira.
“Bom, é que você me deixou muito brava. Não sou propriedade sua. Você não pode...”.
“Você é, sim”, eu a corto e mordo a ponta da sua orelha, causando uma dor que a faz gritar. “E eu posso, sim”.
“Então você também é. E eu também posso”, diz sem fôlego.
“Isso você já demonstrou. Faz ideia de como é difícil fechar um negócio quando a outra parte é obrigada a manter uma distância de pelo menos um metro?” Digo me lembrando daquele cara ridiculamente enorme para o seu próprio bem se colocando ao meu redor ao menor sinal de aproximação de Allison, Tory e qualquer outra mulher.
Eu a sinto paralisar. “Por que a outra parte precisaria ficar tão perto de você?”
“Para apontar coisas importantes na planta que estava aberta em cima da mesa e para entrar no foco da câmera para uma teleconferência... duas coisas que você dificultou bastante”. Ergo a cabeça e a encaro. “Eu estava trabalhando. Você estava se divertindo”.
“Não importa. Se você pode fazer isso, eu também posso”.
Agarro a parte de trás da sua coxa e abro ainda mais suas pernas. “Nossa relação não pode funcionar em pé de igualdade”, pontuo. Ela sabe disso, mas é teimosa.
“Claro que pode”. Eu não disse?
Posiciono-me entre as sua pernas e começo a remexer os quadris, esfregando toda a extensão de minha ereção dolorida contra ela. “Não mesmo”, repito, agarrando seus cabelos para mantê-la imóvel.
Fricciono seu clitóris hipersensível, a costura da minha calça jeans estimulando o ponto certo.
“Pare com isso. Não consigo pensar em mais nada com você fazendo isso”, pede engolindo em seco.
“É só não pensar. Apenas ouça, Eva. Minha posição e meu patrimônio fazem de mim um alvo. Você entende o que isso quer dizer, sabe o que significa conviver com o dinheiro e a atenção que atrai”.
Isso faz parte do meu mundo. Não tem como ser diferente. 
“Aquele cara no bar não era uma ameaça a você”.
“Isso é discutível”. Ainda mais sendo um cara chamado Daniel.
Conforme o esperado, ela se irrita. “Sai de cima de mim”.
“Estou muito bem aqui”.  Mexo de novo os quadris, esfregando-me nela.
“Estou brava com você”.
“Percebi”, digo sem cessar o movimento. “Mas vai gozar mesmo assim”.
Ela tenta inutilmente empurrar meus quadris. “Quando estou brava não consigo!”
“Então prove”, desafio.
Não é como se ela tivesse uma chance de se livrar de mim agora. Estou louco de saudades e minha fome é desmedida. Continuo me esfregando nela, meu pau está mais que ereto e pronto para se enterrar fundo nela até alcançar seu útero. Ela bem que tenta evitar, mas acaba deixando escapar um gemido de prazer.
“Isso, meu anjo”, murmuro. “Está vendo como estou por sua causa? Está vendo o que você faz comigo?”
“Não use o sexo para me castigar”, reclama enquanto afunda os calcanhares no colchão.
Paro de me movimentar por um momento, depois começo a lamber seu pescoço, ondulando o corpo como se eu a estivesse comendo através das roupas. “Não estou bravo, meu anjo”.
“Que seja. Você está querendo me manipular”.
“E você está me deixando louco. Sabe o que aconteceu quando me dei conta do que você tinha feito?”
Ela estreita os olhos e me encara. “O quê?”
“Fiquei de pau duro”.
Seus olhos se arregalam.
“E em público, com todas as inconveniências possíveis”. Agarro um dos seus seios, passando o polegar no seu mamilo endurecido. “Precisei esticar uma conversa que já estava encerrada enquanto me acalmava. Fico excitado quando você me desafia, Eva”. Minha voz está cada vez mais grave e mais rouca. “Fico com vontade de comer você. E depois comer de novo, de novo e de novo”.
“Ai, meu Deus”. Seus quadris se erguem, e sinto o movimento de contração de seu ventre. Ela está quase lá.
“E, como não posso”, murmuro, “vou fazer você gozar assim, e depois você vai me fazer gozar com a sua boca”, finalizo minha explicação.
Eva solta outro gemido e sei que é de contentamento. Afinal assim como eu, ela adora dar prazer tanto quanto receber.
“Isso mesmo”, sussurro, “continue esfregando a bocetinha assim em mim. Porra, como você é gostosa...”.
“Gideon”. Suas mãos percorrem minhas costas e nádegas contraídas.
Seu corpo se arqueia todo na minha direção. Ela goza com um gemido bem longo, e a tensão entre nós se converte em alívio.
Cubro sua boca com a minha, sentindo seus ruídos de desejo reverberar pelo meu corpo. Ela agarra meus cabelos e retribui o beijo.
Viro-me para ficar debaixo dela e abro a braguilha da calça.
“Agora, Eva”.
Ela desliza pela cama, tão ansiosa quanto eu para sentir sua boca no meu pau. Assim que tiro a cueca, suas mãozinhas o agarram e seus lábios o abocanham.
Soltando um gemido rouco, apanho um travesseiro e posiciono sob a cabeça a fim de ter uma visão melhor do belo espetáculo do meu anjo. Quando meu olhar se encontra com o seu, ela me enfia mais fundo na boca.
“Isso”, sibilo, enroscando os dedos nos seus cabelos. “Chupa bem forte e bem rápido. Quero gozar”.
E assim Eva faz. Sugando o ar das bochechas, ela me engole até a garganta, depois volta até lá em cima. E de novo, e de novo, concentrando-se na sucção e na velocidade. Caralho! Puta que pariu! Eu nem consigo pensar em nada coerente. Estou tão louco para gozar que, se me perguntassem agora qual é o meu nome eu não saberia responder. Meus gemidos saem cada vez mais altos, mesmo com a boca cerrada. Meus dedos se contorcem agarrando as cobertas.
 “Nossa”. Eu a observo com os olhos obscurecidos de prazer. “Adoro quando você me chupa. Como se estivesse sedenta por mim”.
Estou completamente desesperado por ela. Ficar esses dois dias tão longe me deixaram num estado alarmente. Eu preciso desse contato como meus pulmões precisam de ar. Cada parte do meu corpo anseia por ela. Cada célula, cada poro. Meus gemidos, meus arquejos, minhas reações físicas, meu gozo. Tudo é para ela, tudo pertence a ela. Eu senti falta de sua presença, de seu jeito sarcástico, de sua personalidade rebelde, de seu humor ácido. Senti falta dos seus suspiros apaixonados, dos seus gemidos, de sua pele se arrepiando sob o toque dos meus dedos...
Ela me masturba com a mão, e minhas veias grossas pulsam em resposta. Um som crispado escapa de minha garganta quando sinto o líquido pré-gozo sair. Estou quase lá e pelo meu estado, vou gozar para caramba! Meu rosto está em chamas, meus lábios entreabertos, minha respiração ofegante e o suor brota da minha testa. Estou completamente à mercê dela, dominado pela necessidade vital de alcançar o ápice.
 “Isso, meu anjo. Isso... faz gozar”. Minhas costas se arqueiam e meus pulmões se inflam. “Caralho”. E eu gozo de forma intensa e brutal. Jorros e mais jorros de sêmen invadem a boca de Eva, que tenta engolir tudo. Grunho seu nome e continuo empurrando seus quadris na direção de sua boca até me esvaziar por completo.
Assim que termino, me curvo e puxo Eva num abraço bem apertado junto ao meu peito ofegante. Meu coração vai desacelerando aos poucos até que volta ao normal.
Depois de um tempo em silêncio, sussurro com a boca colada aos meus cabelos. “Obrigado. Eu estava precisando”.
Ela sorri e me aperta mais um pouco. “O prazer foi todo meu, garotão”.
“Senti sua falta”, eu digo baixinho, com os lábios grudados em sua testa. “Senti demais. E não só por causa disso”.
“Eu sei”. É claro que ela sabe, mas não custa nada reforçar.
“Meu pai vai me visitar em Nova York na semana que vem”, comenta de repente.
Paralisado. Merda, eu nunca conheci o pai de ninguém. Quer dizer, o da Corinne eu conheci, mas ele eu sabia como agradar, afinal é um grande empresário no ramo do petróleo. E também, eu não fazia muita questão de que ele gostasse de mim.
Levantando a cabeça, e lhe lanço um olhar irônico. “E você me conta isso enquanto ainda estou com o pau pra fora?”
Ela ri. “Peguei você desprevenido, hein?”
“Porra”. Dou um beijo em sua testa e começo a ajeitar a roupa. Eu tenho que estar descentemente vestido para enfrentar uma conversa como essa.  “Você já sabe como vai me apresentar? Em casa ou num restaurante? Na sua casa ou na minha?”
“Na minha, e eu cozinho”.
Concordo em silêncio, agora sério. Essa é a primeira vez que vou ter que me esforçar para agradar alguém além de Eva. Victor Reyes é um homem simples e orgulhoso, avesso ao luxo e a riqueza. Ele se recusara a deixar que Stanton pagasse pelos estudos de Eva. Foi uma atitude admirável da sua parte, o que não é de se surpreender vindo de alguém com seu caráter. Pelo que ela sempre me conta, o pai é o seu bote salva-vidas, seu porto seguro, e a relação deles é muito estreita. Os olhos dela até brilham ao falar dele.
 Sou acordado de meus pensamentos com Eva me perguntando se eu prefiro outra coisa.
“Não”, respondo de imediato. “É uma ideia boa. Ele vai se sentir mais confortável na sua casa. Eu faria o mesmo”.
“Sério?”
“Sim”. Apoio minha cabeça em uma das mãos e olho para ela, tirando seus cabelos da frente do rosto. “É melhor não ficar ostentando minha riqueza se pudermos evitar”.
Ela respira fundo. “Nem pensei nisso. Só achei que ficaria menos tensa fazendo bagunça na minha cozinha do que na sua. Mas você tem razão. E vai dar tudo certo, Gideon. Quando ele perceber o que você sente por mim, vai aprovar nosso relacionamento”.
“Isso só me interessa se for capaz de interferir no que você sente por mim. Se ele não gostar de mim e isso mudar as coisas entre nós...”.
“Isso só depende de você”.
Aceno com a cabeça. Suas palavras não são suficientes para me acalmar. Ainda estou preocupado com o que Victor irá pensar ao meu respeito. Tenho que fazê-lo se sentir confortável e, mais do que isso, fazer com que me aprove. Nunca pensei que eu, Gideon Cross, ficaria tão nervoso por conhecer o pai da namorada!
Eva resolve mudar de assunto e pergunta se correu tudo bem em Phoenix. Isso me relaxa um pouco então começamos a falar sobre o projeto e, de repente o foco da conversa muda para como comecei as Indústrias Cross. Fico curioso com sua curiosidade.
“Como acha que eu consegui esse dinheiro?”
“Não faço a menor ideia”, responde sinceramente.
Blackjack”.
Ela pisca confusa. “Na mesa de jogo? Está de brincadeira comigo?”
“Não”, dou risada e a abraço mais forte. Seu rosto é uma mistura de incredulidade e confusão. Uma careta linda.
Sua fisionomia muda como se tivesse se tocando de algo. “Você conta as cartas...”.
“Contava”, admito. “Agora não jogo mais. E os contatos que fiz na mesa foram tão importantes quanto o dinheiro”.
Ela para e pensa por um tempo, digerindo a informação.  “Me lembre de nunca jogar baralho com você”.
Strip poker pode ser divertido...”, comento.
“Pra você”, resmunga.
Vou descendo uma das mãos e aperto sua bunda. “E pra você também. Você sabe como eu fico quando tira a roupa”.
Ela me olha de relance. “E quando não tiro também”.
Abro um sorriso malicioso, sem o menor pudor. Eva com roupa, Eva sem roupa, é sempre Eva. E é disso que eu gosto.
“Você ainda aposta?”
“Todos os dias. Mas só nos negócios e com você”.
“Comigo? Com nossa relação?”
Meu olhar se enche de ternura por essa mulher. “Você é o maior risco que já assumi”. Eu a beijo de leve na boca. “E o maior prêmio que já ganhei”.

Espero que tenham gostado! Um grande beijo e até semana que vem =)

5 comentários:

Greikelly de Paula disse...

Oii.. Sou a Grey, a mais nova leitora..Comecei a ler "Toda Minha" ha uns 3 dias, mas o fic ficou tão bom que nao consegui parar de ler e ja alcancei este capitulo. Vim parabenizar vc, e dizer q ja estou ansiosa para o proximo! Beijos.

Rosa M.O. Ywasaki disse...

Tammy vc poderia me ajudar a entrar no grupo, pois como sou novata nao consegui localiza-lo... E como eu estou AMANDO , ADORANDO nao quero perder uma linha se quer dos seus fanfiction...Voce e 10....

Carla Raminelli disse...

Adorei... tava com saudades do nosso moreno perigoso!!! bjos e até semana que vem!!!

Aline de Fátima Santos Graciano disse...

Flor, incrivel o capítulo! Saiba q ganhou + uma fã! Parabers pelo talento ;-)

Cristiane Cubines disse...

Parabéns, como sempre, perfeito!!! Beijos e obrigada por compartilhar conosco